quarta-feira, 29 de setembro de 2021

Há 30 anos a banda Devotos canta a realidade do bairro Alto Zé do Pinho, no Recife

Matéria foi divulgada em, 2020 - Palco Alternativo Rock, exibe novamente para os fãs

Canibal, vocalista da Devotos, que tem 30 anos de carreira, fala de música e as mudanças conquistadas pelo bairro

Brasil de Fato | Recife (PE)  Matéria divulgada no ano de 2020


Canibal é vocalista e baixista da Devotos. A banda de punk rock hardcore que surgiu na década de 1980, possui sete discos de estúdio e sempre manteve a identidade de afirmação do bairro do Alto José do Pinho, da Cidade do Recife. Recentemente recebeu homenagem em sessão solene na Assembleia Legislativa de Pernambuco, ocorrida no mês de Agosto de 2019.

Brasil de Fato (BdF): Como ocorreu o processo de surgimento/criação da Devotos? 
Canibal: O começo da Devotos foi muito difícil. Nunca quis ter banda. Sempre participei do movimento Punk aqui do Recife. Eu gostava de fazer fanzine, gostava de participar das passeatas punks, gostava de reivindicar e organizava os eventos, a minha parada era essa. Mas um amigo me incentivava quase todo dia “forma tua banda”, e eu nunca quis ter banda. Mas teve o terceiro encontro antinuclear e a gente organizava pra tocar, e ele disse, “tu vai formar tua banda, o nome da banda é Devotos do Ódio e vocês vão tocar”. E a gente meio que formou a banda, mas foi louco porque a gente não tinha nem instrumento, e eu nunca tinha tocado um instrumento na minha vida. A primeira coisa que eu pensei foi “a gente não vai tocar cover”, já que a gente não sabe tocar a gente faz as nossas próprias músicas porque ninguém vai dizer que tá errado.  Tínhamos outro vocalista, ele passou quase seis meses ensaiando com a gente, na semana do show ele disse que não ia cantar, como eu fazia as músicas eu pensei “não vai dar tempo de arrumar outro vocalista, eu vou cantar” e estou até hoje. Passamos nove anos nessa história de ir tocar e voltar sem ganhar nada. São 30 anos eu, Celo e o Neilton juntos. A banda já teve outra formação, que começou com Celo também, mas ele saiu da banda e entraram outros dois músicos que eram membros do SS-20, a primeira banda de punk rock daqui de Recife, e ficaram comigo um tempo pra banda não ficar parada. Depois eu chamei Celo novamente, e encontrei Neilton e convidei ele pra tocar comigo. Celo eu conheço desde os 14 anos e Neilton desde os 05 anos, então a afinidade foi bem maior.  

BdF: Mesmo após a fama, a identidade musical e política permaneceram. O que foi determinante pra que a banda mantivesse o mesmo perfil ao longo desses mais de 30 anos?
Canibal: A Devotos surgiu para mudar um quadro social dentro da comunidade, que é o Alto José do Pinho, a ideia era essa. Por isso que a gente não pensava em fama, pensava no que estava acontecendo ali no Alto José do Pinho. Todo aquele inconformismo como o saneamento, insegurança, criminalidade, a mídia sensacionalista sempre colocava a comunidade nas páginas policiais e a gente via que o Alto não era tão perigoso assim, eles tinham era um meio de ganhar muita grana com isso, com a miséria. Acho que você tem que reivindicar as melhorias sociais da forma que você se sente melhor e não apenas se engajar numa coisa que você não se identifica e a gente se identificava com a música. A baixa autoestima era muito forte na comunidade, a comunidade não se pertencia, não se via dentro dela mesma e a gente começou a tratar disso nas nossas músicas. No começo era uma coisa de raiva, de ódio, era mais falar mal do que se tinha. Depois de um tempo, ouvindo outras pessoas, um amigo nosso chamado Carlos Freitas disse “o som de vocês é massa, tua letra é muito boa, mas se liga que vocês são do subúrbio e vocês tem que dar esperança pra aquela galera”, então a gente começou a falar daquele mal-estar que se tinha dentro da comunidade perante o governo de uma forma diferente, escrever coisas diferentes e até hoje é assim. Os problemas ainda existem, mas a autoestima da comunidade mudou, O Alto José do Pinho hoje é visto pela cultura que se tem, pelos vários projetos sociais que se tem e não pela criminalidade, como era naquela época. 

BdF: Recentemente o Devotos tocou num lugar um pouco inusitado, numa sessão solene, como foi esse momento?
Canibal: Por tudo aquilo que a gente conquistou no Alto José do Pinho de conseguir tirar das páginas policiais e colocar nas páginas culturais, fazer com que a sociedade subisse o Alto pra ver os caboclinhos, pra ver o Maracatu Estrela Brilhante, pra ver o afoxé e toda a efervescência cultural, o deputado Isaltino Nascimento (PSB) resolveu fazer uma homenagem ao Devotos e teve a ideia de a gente tocar na Câmara para além da homenagem e foi aberto ao público. Foi surreal e muito gratificante, por que tem um separatismo muito grande, mas ali também é um lugar para a gente ocupar. 

BdF: Na comunicação, na forma de expressão musical, qual o equilíbrio entre anunciar e denunciar?
Canibal: Na mídia é praticamente impossível isso. Ter o discernimento do que é verdade ou mentira é necessário. O que eu vejo e que eu aprovo é você mostrar as duas verdades que acontecem, dentro da periferia, por exemplo, mostrar as coisas boas e ruins que estão acontecendo. Essa mídia que tem hoje é muito fake, se ganhou uma eleição mentido, isso é muito perigoso.  Edição: Monyse Ravenna

Fonte: https://www.brasildefatope.com.br/2020/01/14/ha-30-anos-a-banda-devotos-canta-a-realidade-do-bairro-alto-ze-do-pinho-no-recife




segunda-feira, 27 de setembro de 2021

7 bandas atuais que provam que o rock não morreu

Dia 13 de Julho, o dia em que todos os roqueiros colocam o solo favorito “no talo” com muito orgulho. É o dia de mexer a cabeleira e gritar “É dia de rock bebê!”.

Mas porquê 13 de Julho? Bem, foi nesse dia, lá em 1985, que aconteceu um dos maiores festivais do mundo: o Live Aid. Os shows aconteceram principalmente em Londres e na Filadélfia, mas tiveram alguns espalhados na Austrália, Rússia e Japão, o intuito era arrecadar doações para famílias pobres na Etiópia.

O festival foi tão icônico que foi distribuído para mais de 1,5 bilhão de pessoas, sendo uma das maiores transmissões em larga escala por satélite, além de contar com nomes como Sting, U2, Phil Collins, Queen, Dire Straits, David Bowie, The Who, Elton John, Paul McCartney, Eric Clapton, Mick Jagger e Bob Dylan. Incrível, né?

E para comemorar esse dia, a equipe do OCPNews fez uma curadoria muito especial (com dicas dos nossos colaboradores) para te apresentar 7 bandas para provar que o rock não morreu! Ah, e no final, tem uma playlist montada para você ouvir algumas músicas dessas bandas. Bora lá!

Greta Van Fleet

De 2012 até hoje, o som do Greta Van Fleet ainda é muito discutido, principalmente por quem é fã de Led Zeppelin. O principal motivo é a semelhança surpreendente de sonoridade e estética da banda dos irmãos Kiszka com a banda britânica de 1968. Os integrantes Josh Kiszka, Jake Kiszka, Sam Kiszka e Daniel Wagner já afirmaram que o Led Zeppelin não é a única inspiração para o Greta, The Who, Jimi Hendrix e Beatles, além de algumas influências do blues, como Taj Mahal e Robert Johnson também foram fundamentais para a construção do estilo da banda.

Mas afinal, mesmo com todo esse impacto, vale a pena ouvir? Sinceramente, depende de você. Se você curte essa vibe anos 70, estilo hippie, flower power e com muita influência de bandas clássicas, vale a pena conferir as músicas desses caras. Confira algumas na nossa playlist!

IDLES

A banda britânica de punk rock formada por Joe Talbot, Adam Devonshire, Mark Bowen, Jon Beavis e Lee Kiernan conquistam fãs desde 2011 com seu som brutal e com letras sobre sexismo, política, tragédias pessoais, imigração e masculinidade tóxica.
Eles poderiam ser apenas mais uma banda raivosa e inconformada com o mundo, mas o destaque do grupo é a maneira como se comportam nos shows. Toda a rebeldia e a insatisfação das letras é representado diretamente nos palcos, e claro, o público responde à altura.

É realmente difícil comparar a sonoridade de IDLES com qualquer outra banda, pois a performance caótica e o estilo musical ímpar, isto é, sem um gênero definido (segundo os próprios integrantes), faz com que ouvi-los seja uma experiência bem peculiar.

White Lies

A primeira característica que precisa ser destacada dessa banda de 2007, é a pegada “oitentista” contagiante misturada a um rock alternativo que lembra bandas como Imagine Dragons (pop rock) e Capital Cities (indie pop). O grupo é composto por Harry McVeigh (vocal e guitarra) Charles Cave (baixo e backing vocals), e Jack Lawrence-Brown (bateria) e Tommy Bowen (teclados) e é uma alternativa atual bem interessante para quem sente falta de novas músicas com uma “pegada” nostálgica.

Saiba que ao ouvir pela primeira vez, a banda estará obrigatoriamente na sua playlist, pois a qualidade das músicas é de surpreender!

Måneskin

Não são só os britânicos que sabem fazer rock ‘n roll, essa banda italiana, mais especificamente de Roma, faz um som quase sensual sem perder a identidade do hard rock clássico. Eles atualmente tem 28 milhões de ouvintes mensais no Spotify e meio bilhão de views no Youtube, além disso, estão no Top 3 da Billboard com a faixa “Beggin’”.

Composta por Damiano David (vocal), Victoria De Angelis (baixo), Thomas Raggi (guitarra) e Ethan Torchio (bateria), os jovens de 20 e poucos anos trouxeram uma estética sem gênero, com vários acessórios, maquiagem e uma certa nudez provocativa digna do glam dos anos 80.

Com certeza é uma das bandas revelação que ainda farão muito barulho no mundo da música.

Scalene

Uma das bandas nacionais de rock atual mais famosas, a banda Scalene apareceu na segunda temporada do reality show musical Superstar, saindo como vice-campeã e foi vencedora do Grammy Latino de Melhor Álbum de Rock em Língua Portuguesa 2015/2016 com o álbum Éter.

Pra quem gosta de Radiohead e Queens of the Stone Age, Scalene é uma boa opção nacional de stoner rock, com letras profundas e uma sonoridade mais leve, os integrantes Gustavo Bertoni, Tomás Bertoni, Lucas Furtado e Philipe Nogueira estão há mais de 10 anos com a banda.

Confira as músicas do Scalene na nossa playlist!

Mulamba

A banda formada apenas por mulheres conquistou espaço na música brasileira com seu estilo rock/MPB desde 2015. O grupo curitibano é composto por Amanda Pacífico (voz), Cacau de Sá (voz), Caro Pisco (bateria), Érica Silva (baixo, guitarra e violão), Fer Koppe (violoncelo) e Naíra Debértolis (guitarra, baixo e violão).

Amor, feminilidade, sexualidade, família, igualdade e violência de gênero são alguns dos temas abordados nas letras profundas e que acompanham uma sonoridade única, que mistura rock, funk, MPB e tantos outros estilos musicais brasileiros de uma maneira singular.

Se vale a pena? Com certeza! Dá uma conferida na faixa “Mulamba” e “Lama” ali na nossa playlist.

Molho Negro

Aparentemente 2012 forneceu ao mundo diversas bandas de rock novas, e aqui no Brasil, a banda Molho Negro foi uma delas. Nessa matéria já trouxemos diversos gêneros e estilos musicais, mas essa em particular é pra quem gosta do famoso rock de garagem, com influências diretas do Nirvana, por exemplo.

O trio de Belém do Pará formado por João Lemos (Vocal e guitarra), Raony Pinheiro (Baixo) e Auguto Oliveira (Bateria) tem um ótimo senso de humor na hora de compôr, principalmente nas faixas “Concurso”, “Aparelhagem de Apartamento” e “Mainstream” (Confira nossa playlist!).

Ta afim de ouvir um som divertido sem perder a pegada de “guitarra barulhenta”? Então Molho Negro é perfeito para ser sua nova busca no Spotify.

Fonte:

https://ocp.news/entretenimento/dia-mundial-do-rock-7-bandas-atuais-que-provam-que-o-rock-nao-morreu


quarta-feira, 22 de setembro de 2021

Top 10 melhores guitarristas de todos os tempos

Nesta seleção estão os 10 melhores guitarristas de todos os tempos, de acordo com a revista Rolling Stone. O posicionamento destes guitarristas é baseado em técnica, influência e impacto, dentre tantos fatores que os distinguem com muito sucesso pela história da música. 

 

10º PETE TOWNSHEND



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Pete Townshend, do The Who, nasceu na Inglaterra em 1945, e começou sua carreira musical em 1962, ao conhecer o baixista John Entwistle em Ealing Art School, com formação da sua primeira banda The Confederates. No The Who, gravou 11 discos de estúdio e 11 discos ao vivo. E Townshend ainda gravou 7 discos solos. As maiores influência para este guitarrista foram Link Wray, Lee Hooker, e Hank Marvin. 



9º DUANE ALLMAN



E Duane Allman, de The Allman Brothers Band, nascido em Nashville em 1946, berço da country music americana, ocupa a nona posição nesta seleção. Com 14 anos, sendo impulsionado pelo irmão mais velho Gregg Allman, iniciou a tocar violão. No ano 1969 prestigiaram um show de B.B. King, e decidiram formar uma banda. A The Allman Brothers Band, de southern rock. 


8º EDDIE VAN HALEN  



Eddie, do Van Halen, é de origem holandesa, com nascimento em 1955. No ano 1974, com influência de bandas de rock como Deep Purple, AC/DC, Eddie e seu irmão Alex resolveram formar uma banda, o Van Halen. Eddie é considerado por tantos como um mestre em reffis, e teve participação especial em discos de grandes artistas como Black Sabbath. 


7º Chuck Berry 



Chuck Berry nasceu nos Estados Unidos, em 1926, e é aclamado como uma das maiores lendas vivas do Rock and Roll, e auxiliou na criação do estilo, sendo lançamento do seu primeiro disco em 1957, After School Session. O grande guitarrista entrou para galeria do Rock And Roll Of Fame, na sua primeira edição em 1986. 


6º B.B. King 


B.B. King nasceu nos Estados Unidos, em 1925, e vivia em pobreza e praticamente sozinho aos 9 anos, com 35 centavos de dólar que ganhava diariamente em colheita de algodão. Ele iniciou a tocar na esquina da igreja local para ter mais alguns trocados. No ano 1960 gravou seu primeiro álbum de estúdio, King of the Blues. E em 1987 teve nomeação para segunda edição do Rock And Roll Of Fame. 


5º Jeff Beck 



Jeff Beck nasceu na Inglaterra, em 1944, e iniciou sua carreira musical como músico de estúdio, sendo que em 1965 integrou a banda Yardbirds, antiga banda de Eric Clapton. Então formou sua própria banda, The Jeff Beck Group, e no ano 1967 surgiu gravação do seu primeiro álbum, The GTO’s. 


4º Keith Richards 




Keith Richards nasceu na Inglaterra, em 1943, sendo um dos mais conhecidos no gênero Rock, com Mick Jagger formando o grande The Rolling Stones. Sua influência é por grandes nomes do blues como Willie Dixon, e Muddy Waters, e também é admirador de Chuck Berry. 


3º Jimmy Page 



Jimmy Page é nascido na Inglaterra, em 1944, e também como Jeff Beck foi músico de estúdio e integrante da banda Yardbirds, entre 1966 e 1968, momento em que os demais integrantes decidiram deixar a banda. Mais adiante, Page convida Robert Plant, John Paul Jones e John Boham para formação do Led Zeppelin, banda que transformaria a história do pop rock mundialmente. Esta banda gravou seu primeiro disco em 1969, e com riffs pesados, Page repaginou o rock mundial; Led Zeppelin esteve na ativa até 1980. 


2º Eric Clapton 




Eric Clapton nasceu na Inglaterra, no ano 1945, e com 13 anos de idade recebeu da sua avó Rose, o primeiro violão e iniciava o estudo sozinho, e somente com o auxílio de um antigo gravador, com esforço para tirar blues antigos. Muito se passou até formação do Cream, e com o final desta banda, nas últimas da década de 1960, Eric começava a sua dedicação à carreira solo, e são mais de 30 discos e clássicos como Cocaine. 


1º Jimi Hendrix 



Jimi Hendrix nasceu nos Estados Unidos, em 1942, e encarou infância pobre e sofrida, mas é líder na seleção dos 10 melhores guitarristas de todos os tempos. No ano 1966 fundou Jimmy James and the Blue Flames, porém seu primeiro disco apenas viria um ano após, ao lado do baterista Mitch Mitchell e baixista Noel Redding, na gravação do álbum Are You Experienced, de clássicos como Purple Haze e Hey Joe. Logo depois do lançamento do disco, o grupo se deslocou para Inglaterra, e a carreira de Hendrix finalmente decolou, tendo atenção de grandes nomes do rock inglês como Beatles e The Who. No ano 1969 Jimi integrou o Woodstock, encantando mais de 500 mil pessoas presentes, com intercalação de efeitos que representavam bombas no meio da execução do Hino Nacional Americano. O falecimento deste grande guitarrista ocorreu em 1970, vítima de asfixia pelo afogamento em seu próprio vômito, segundo divulgação oficial.